23
janeiro
2012
Mario Prata conta histórias de seus amigos e revela um retrato da geração de 60
A inspiração para escrever “Minhas mulheres e meus homens” (Editora Planeta) surgiu quando Mario Prata abriu sua agenda telefônica e percebeu que ali estavam nomes de muitas pessoas, com histórias de vida divertidas e interessantes. Embora sejam as mesmas histórias, hoje elas ganham nova leitura e revelam um retrato da geração de 60.
Na edição de 1999, quem fez o prefácio foi a ex-mulher de Prata, a jornalista e escritora Marta Góes. Ela resumiu: “É a história de um homem que enriqueceu a vida de tantos encontros, com tantas pessoas, que ao passar os olhos pela agenda de telefones compreendeu, satisfeito, que a sua história dá muitos, muitos livros”. Já, nesta nova edição, no que chama de pós-fácio, Mario Prata completa: “Eu só acrescentaria uma coisinha e sem nenhuma modéstia: é mais do que a minha biografia. É a biografia de minha geração, a que nasceu nos anos 40 e caiu na vida nos anos 60.”
Nesta nova edição, o escritor Antonio Prata, filho do autor, escreve a orelha e destaca a novidade: “Na primeira edição, em 1999, os personagens apareciam em ordem alfabética, como na agenda. Agora, estão em ordem cronológica, escancarando o que já se vislumbrava lá atrás: trata-se de uma autobiografia disfarçada. Trata-se, também, de uma bela crônica histórica e social: acompanhando a evolução do garoto interiorano que vem para a cidade grande ser bancário e termina um escritor consagrado, testemunhamos a revolução dos costumes; do surgimento da pílula à invenção do Viagra, das primeiras viagens espaciais aos cliques no cyberespaço. No meio do caminho há pessoas desconhecidas fazendo coisas extraordinárias e gente famosa em situações incomuns.”
Essa divisão de personagens é explicada agora pelo autor, no que chama de pós-fácio, o novo prefácio desta edição: “Quando o livro foi lançado, a Playboy publicou um encarte com verbetes escolhidos por Humberto Werneck, só de gente famosa e de ex-namoradas minhas de 30 anos atrás. Muita gente ficou achando que eu havia escrito o livro para me gabar (digamos assim) de um passado de glórias. E não era nada disso. São 50 famosos contra duzentos não famosos, fui conferir. E as namoradas, fui contar, eram 12 em 36 anos. Acho uma média normal. Não?”
Mas nem só famosos, como Hebe Camargo, Toquinho, José Wilker, Boni, Eduardo Suplicy, Bibi Ferreira, João Bosco e outros fazem parte da agenda de amigos do escritor. Há desconhecidos que passaram por sua vida com ótimas histórias, como o radialista de Lins, a dançarina Suzaninha, a cubana chamada Hiroshima e o farmacêutico corno. O melhor é que Prata consegue falar de cada um com muito humor e informalidade, tornando a leitura irresistível.
Mario Prata é mineiro de Uberaba, foi criado em Lins, interior de São Paulo. Já adulto, mudou-se para a capital paulista e, como resultado de sua temporada no spa, mudou-se para Florianópolis há dez anos – “um local com clima de spa. Com uma vantagem: o mar na frente”. Escreve para teatro (Cordão umbilical, Besame mucho), cinema (O casamento de Romeu e Julieta), televisão (Estúpido cupido, Helena), jornais e revistas. Entre seus best-sellers estão Schifaizfavoire, Minhas vidas passadas, Minhas mulheres e meus homens, Purgatório, Cem melhores crônicas, Sete de paus e Os viúvos. Com livros publicados e peças montadas em diversos países, já ganhou vários prêmios no Brasil e no exterior. Atualmente dedica-se à literatura policial, pesquisando e escrevendo a respeito, criando seus últimos romances com o detetive Ugo Fioravanti Neto. Além de trabalhar em um roteiro de cinema baseado no seu livro Purgatório.
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